Desmanche
Após a pandemia uma prática se intensificou nas ruas do Rio de Janeiro, a passagem do carro do ferro-velho anunciando a compra de todo e qualquer tipo de material velho do qual o indivíduo queira se livrar.
A compra anunciada através de mega-fones, adornando carros mais velhos que seus conteúdos, na verdade vira uma negociação de remoção do item a ser descartado, recebendo o antigo proprietário nada ou muito pouco pelo objeto.
Todas essas “empresas” de recolhimento pertencem e vendem o material recolhido aos diversos ferros-velhos espalhados no subúrbio do Rio de Janeiro.
Todas as gravações são iguais e circulam através de pen drives, todas, sem exceção foram feitas por uma única pessoa que ninguém sabe quem é. Em algumas delas é possível observar uma canção evangélica ao fundo, onde Deus é evocado para escrever uma nova história e um novo tempo a estes trabalhadores da oxidação.
Inundada todos os dias por esse som, pelas transformações da Covid e pelos claros sinais da falência do capitalismo resolvi enxertar palavras ligadas ao sistema de produção vigente nas gravações e circulei com um destes carros, o Machado Ferro-Velho de propriedade do Sr. Rodrigo e seu filho Fabiano. som Gil Tandeta Gregório
vídeo full HD
7′
2022