“VOLVAMOS AL SILENCIO, AL SILENCIO DE LAS PALABRAS QUE VIENEN DEL SILENCIO” VICENTE HUIDOBRO EN ALTAZOR, CANTO I
A imaginação e o conhecimento que dela decorre movem a humanidade. A história nos mostra que os sistemas de poder sempre quiseram moldar esse movimento. Não é de se estranhar que, ao longo dos séculos, a transmissão de todo conhecimento tenha sido constantemente objeto de controle e que, desde o momento em que passou a ocorrer majoritariamente por meio da palavra impressa, muitos livros tenham sido proibidos. Essa mentalidade persecutória continua até os dias de hoje e, no século XXI, a proibição de títulos segue sendo uma prática recorrente.
Mas a história também nos ensinou que é impossível eliminá-los. O conhecimento que eles carregam permanece suspenso, hibernando, sem respirar, em outra dimensão: na poesia intrínseca das coisas, no mundo das ideias, em nosso cérebro, aguardando o momento de retornar.
“Voltemos ao silêncio,
ao silêncio das palavras que vêm do silêncio.”
propõe a criação de um calendário composto por volumes cobertos com papier mâché feito a partir de páginas de livros, dispostos em uma escada com uma grande espiral (imagem 1), em alusão aos conceitos andinos de tempo e espaço, concorrentes e indivisíveis — a escada como representação do espaço e a espiral, símbolo dinâmico que expressa a lei geral do movimento, como imagem do tempo (imagem 2).
Os livros serão sugeridos por um grupo selecionado e pela artista, e conterão conhecimentos andinos ou astronômicos, ou simplesmente conteúdos que sejam importantes para a pessoa. Os títulos sugeridos serão incorporados às camadas de papier mâché.
O conhecimento é oferecido como uma fundação invisível sobre a qual as sociedades são construídas.
Além dos livros sugeridos, outros serão adicionados para completar a quantidade necessária. Também serão incluídas imagens e desenhos realizados pela artista, a fim de criar diferentes escalas, claros e escuros, com o objetivo de potencializar o impacto e a assimilação da obra pelo público.
Os volumes colocados no chão serão cobertos com pigmento luminescente, de modo que, durante o dia, absorvam a luz solar e possam brilhar à noite. Dependendo da disposição, os blocos receberão a luz solar com diferentes intensidades e, por isso, brilharão de forma distinta, formando um calendário do movimento do sol (imagem 3).
Tanto a construção quanto a luz emitida à noite criarão um novo espaço e uma experiência temporal do ritmo natural do dia e da noite, da luz e da sombra, sem a rigidez da lógica mecânica. O tempo vivido por meio da experiência da luz, que sempre conectou o ciclo natural ao conhecimento humano.
Desde a primeira estrela, é a luz que nos conecta e nos fornece informações sobre aquilo que desconhecemos.
Na astronomia, é sobretudo a luz que nos permite conhecer o nosso Universo.
“A poesia da astronomia é tecida com a luz.” *
* Danilo González Díaz
estudante de pós-doutorado em astrofísica
Universidade Católica do Norte
Instalação
Papier mâché – 100 kg de aparas de livros , 50 litros de cola branca,pigmento luminescente
17mØ aprox
2025
VISTA
SACO BIENAL 1.2 , La Molinera, Antofagasta , Chile